Que canto há de cantar o indefinível?
O toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.
Como te amar, sem nunca merecer?
Amar o perecível,
o nada,
o pó,
é sempre despedir-se.
Hilda Hilst
Em cartaz no CCBB, "Três Luas" é um espetáculo que une música, dança e poesia, desenvolvido pelo grupo de dança Primeiro Ato, com direção artística de Suely Machado. Nasceu com a poesia de Hilda Hilst musicada no CD "Ode descontínua e remota para Flauta e Oboé de Ariana para Dionísio" por Zeca Baleiro e interpretada por grandes vozes femininas brasileiras. Mistura o amor idealizado de Ariana com a falta de Dionísio, transformando em movimento a amplitude de sentimentos experimentada pelo eu lírico, do universo onírico ao desejo insaciável. Além disso, as coreografias foram incrementadas com as próprias vivências dos dançarinos, que participam portanto ativamente da criação poética. O "palco" - uma espécie de arena cercada pelos espectadores - permite não só a aproximação dos artistas com o público como também a diferença abrupta dos ângulos de visão de cada lado, criando mais possibilidades de panorama do espetáculo.































