"The things are in the saddle and they ride us."
Ambientado em um cenário fictício no qual os objetos teriam se tornado autoconscientes e se rebelado contra a "opressão humana", o texto Animação Cultural está perfeitamente encaixado na realidade do século XXI. Com uma Mesa-redonda como narrador, ele consegue colocar em questão uma das grandes discussões de nossa época: em qual sentido se dá primordialmente a relação homem-objeto? Para a Objetividade revolucionária do texto, ela vai dos itens materiais para o homem, uma vez que as coisas não seriam meros instrumentos da necessidade humana criados para servir a humanidade, mas sim resultado da interação entre os fenômenos inanimados - terreno das ciências exatas - e animados - terreno das ciências inexatas. A dependência que as pessoas têm dos aparelhos teria crescido de forma tão descontrolada que elas praticamente perderam o controle sobre si mesmas; as ciências necessitam dos computadores, calculadoras, aparelhos de medida, etc.; as relações sociais sujeitam-se à Internet e à telefonia e a produção submete-se à tecnologia.
Todavia, como colocado pela Mesa-redonda, "a desvalorização da cultura é nossa [da Objetividade] tarefa suprema". Isto é, enquanto a intelectualidade criativa humana se sobrepuser à inteligência artificial, o homem ainda têm as rédeas do vínculo com os objetos a seu redor. A questão está na tênue divisão entre as duas, que fica cada vez mais delicada. Assim, precisa-se valorizar a criação e a formação de cultura, que são muitas vezes delegadas aos programas de computador no mundo contemporâneo. Faz-se necessário, pois, reconhecer a natureza interdependente que define a relação homem-objeto: precisamos deles para progredir, mas eles nascem de nossa inventividade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário